domingo, 27 de setembro de 2020 - 9:57
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Por que Guedes ainda não caiu

O que hoje ainda segura no cargo o ministro certamente é a ausência de um nome disponível para fazer as vontades do presidente sem derrubar os mercados

O ministro Paulo Guedes, que chegou ao governo confiante e com um brilhante discurso de posse, parece hoje uma sombra do superministro que tinha carta branca e um diagnóstico preciso dos males brasileiros. Está sendo submetido a humilhações nunca antes vistas contra um ministro da Economia, e parece resignado com o seu destino.

Nem mesmo Dilson Funaro nos estertores do Plano Cruzado, durante o governo José Sarney, foi tão desautorizado e desacreditado perante a opinião pública. Depois de elevado às alturas no período inicial do plano, quando parte da população se mobilizou pelo congelamento de preços, e até apontado como futuro presidente da República, Funaro caiu em desgraça com o desabastecimento e o descongelamento.

Já com o câncer linfático em processo avançado, o ministro da Fazenda foi demitido. A ampla vitória do PMDB nas eleições parlamentares de 1986 deu a impressão de que o congelamento de preços havia sido um golpe eleitoral. Ainda no cargo, Funaro recebeu a pecha de “messiânico” do então porta-voz do presidente, Fernando César Mesquita – certamente uma opinião emanada do próprio Sarney.

Zélia Cardoso de Mello, no governo Collor, desmoralizou-se a si própria com o romance de fotonovela de terceira categoria com o também ministro Bernardo Cabral. Mas o problema maior foi a total incompetência de Zélia para lidar com a inflação e as consequências do confisco das contas bancárias e da poupança dos brasileiros.

O que hoje ainda segura no cargo o ministro Paulo Guedes certamente é a ausência de um nome disponível para fazer as vontades do presidente sem derrubar os mercados. A demissão do Posto Ipiranga significaria o fim do compromisso com o teto de gastos, única âncora fiscal disponível para manter de pé o país.

Quem aceitaria submeter-se à inépcia e às grosserias do presidente da República, que ignora questões técnicas e age apenas ao sabor de sua popularidade e de olho na reeleição?  Há quem tope, inclusive dentro do próprio governo. Mas os mercados despencariam e a credibilidade, já muito baixa, iria a zero.

Toffoli e seu último legado

Pouco antes de encerrar seu período como presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli arquivou 12 inquéritos abertos com base na delação premiada do ex-governador Sérgio Cabral à Polícia Federal. Assim, ninguém mais será investigado e muito menos punido, porque o assunto morreu.

A delação incluía nomes de ministros do TCU e do STJ, além de parlamentares. Como era parte da Operação Lava-Jato, o cartapácio foi encaminhado ao ministro Edson Fachin, que homologou a abertura dos inquéritos e os enviou à presidência (Toffoli), para que fossem sorteados novos relatores. O presidente pediu ao procurador-geral da República que se manifestasse, e Augusto Aras recomendou o arquivamento geral.

Em julho, três outros pedidos de inquérito já haviam sido arquivados. Assim, permanecem inalterados os 280 anos de prisão a que já foi condenado o governador do Rio de Janeiro, porque ele deixa de se beneficiar da delação.

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