Pequenos empreendedores resistem à digitalização dos negócios

92

Muitos não sabem como a internet pode ser aplicada, revela pesquisa do Sebrae

A pandemia do novo coronavírus reforçou a necessidade de usar a internet, aplicativos e as redes sociais para comercialização de produtos e serviços.

Boa parte das micro e pequenas empresas já havia aderido à digitalização dos negócios mesmo antes do mesmo do surgimento da Covid-19.

Entretanto, alguns pequenos empreendedores estão à margem desse processo porque enfrentam dificuldades em digitalizar os negócios.

Nesse grupo estão os empreendedores com baixo nível de escolaridade, que fecharam as portas, parcialmente ou em definitivo, com a crise e que possuem restrições à circulação, dada a localização dos seus empreendimentos.

Esse cenário foi constatado pelo Sebrae, por meio da pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, realizada entre os dias 25 e 30 de junho.

O levantamento mostra que muitos empreendedores são resistentes ao processo de digitalização ou não sabem como migrar para o novo ambiente.

De acordo com a pesquisa, 20,4% não sabem como a internet pode ser aplicada em seu negócio e 7,9% não vendiam e nem pretendem vender seus produtos por esse meio.
Entretanto, o levantamento aponta que as redes sociais, como WhatsApp e Facebook, são amplamente utilizadas por empreendedores de todos os níveis de instrução para fazer negócios.

Pelo menos um terço dos donos de pequenos negócios com menor instrução têm maiores dificuldades de estrutura e tecnologia.

O Sebrae constatou que 6,6% dos empreendedores com nível médio incompleto decidiram acabar de vez com seu negócio e são os que mais (31,6%) tiveram que fechar provisoriamente o empreendimento a que se dedicavam.

O porcentual de empreendedores com nível de escolaridade superior que apostaram em mudanças é de 59% e o índice dos que estão funcionamento normalmente é de 9%.
Segundo Carlos Melles, presidente do Sebrae, em relação ao faturamento durante a pandemia, todos os níveis escolares acusam enorme e semelhante impacto nos lucros, com maior variação negativa dentre os mais instruídos.

Por isso, segundo ele, empresários de todas as escolaridades revelaram que recorreram à modalidade on-line e delivery como alternativas para manterem seus negócios na crise.
Os menos instruídos, no entanto, passaram a fazer mais vendas diretas, acrescenta Melles.
Os donos de negócios com ensino médio completo foram os que mais preservaram postos de trabalhos formais pelo regime CLT.

Os empresários com menor escolaridade utilizaram menos as medidas do governo em relação à redução de salários (3,1%) e jornadas de trabalho (22,3%). Já entre os empreendedores com ensino superior, os percentuais foram de 11,6% e 28,6%, respectivamente.

A maioria dos empresários de todos os níveis de escolaridade acumulou dívidas e teve dificuldades em contratar empréstimos bancários, seja por restrições no CPF (no caso dos menos escolarizados), seja por problemas no CNPJ (no casos dos mais instruídos).
Para a realização dessa pesquisa, o Sebrae entrevistou 6.470 empreendedores de todo o país.