domingo, 05 de julho de 2020 - 10:14
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KPMG indica estratégias para fortalecer a resiliência corporativa

Charles Krieck, presidente da KPMG no Brasil e na América do Sul    (Foto: divulgação)

Em meio às incertezas trazidas pela pandemia, desafio das empresas hoje é implantar ações criativas e eficazes de contingenciamento e continuidade de negócios

Irineu Uehara

Fenômeno inédito por sua natureza e magnitude, a crise sanitária e econômica gerada pela pandemia de covid-19 impõe novos desafios às empresas, que se veem instadas a elaborar estratégias para manter a continuidade dos negócios e retomar as atividades no chamado “novo normal”.

“Resiliência” tornou-se, portanto, a palavra-chave neste cenário turbulento. Na visão da KPMG, exposta em webcast recente para jornalistas, o conceito se traduz em flexibilidade, agilidade, compromisso com a cultura interna, pensar e agir conjuntamente.

Nesse sentido, a consultoria sugere que o mundo corporativo percorra um roteiro composto por quatro fases, relacionadas a aspectos de segurança das pessoas e ao atendimento adequado aos clientes e à comunidade.

As fases seriam as que seguem: a) Reação, com teletrabalho e implementação de planos de continuidade de negócios; b) Resiliência, com administração remota dos negócios, manutenção das entregas e das operações; c) Retomada, com retorno aos escritórios e presença física em reuniões; d) Nova realidade, com reflexões sobre como serão os escritórios e o que deve ser planejado agora.

Na atuação da própria KPMG, segundo ela mesma, a conjuntura implicará mais foco em negócios, criatividade, adaptação ao novo mundo e abordagens setoriais. “Realizamos uma série de ações para cuidar das nossas pessoas e da sustentabilidade do nosso negócio”, afirmou Charles Krieck, presidente da KPMG no Brasil e na América do Sul. A orientação é compreender o cliente na nova realidade e como se pode adaptar os serviços a este quadro emergente.

O uso intensivo de tecnologia, se antes já era mandatório, tornou-se agora pilar e motor das atividades. “Já estávamos apostando muito fortemente em digital, em inovação, fazendo uso de ferramentas como Inteligência Artificial, Internet das Coisas e realidade aumentada, entre várias outras. E agora vamos investir mais ainda”, destacou ele.

TI estratégica aprimora o negócio

Para o executivo, diversos dogmas cercando a tecnologia estão caindo: “As empresas, ao experimentarem o home office, vão descobrindo necessidades e maneiras mais inteligentes de trabalhar. Isso tudo vai gerar um círculo virtuoso. Diferentemente da tecnologia operacional, a TI estratégica inova, aprimora o negócio, serve melhor o cliente e melhora a vida das pessoas”.

Outro ponto relevante ressaltado por Krieck foi a comunicação, considerada essencial nesse momento de incertezas: “Comunicação é alento, tranquilidade, transparência e credibilidade. Quanto mais dialogarmos, melhor preparados estaremos para o futuro”.

Por sua vez, André Coutinho, sócio líder de Mercados e Clientes da KPMG, ponderou que não se trata de simplesmente sobreviver à crise. Cabe, sim, aprender com ela, dado o ineditismo de todos os eventos em curso: “Em uma conjuntura como a atual, é praticamente impossível ter os riscos previstos, calculados e mitigados. Esta opacidade e esta dificuldade de enxergar o que está acontecendo são muito preocupantes”.

Já no ano passado, recapitula ele, estava crescendo fortemente a preocupação dos CEOs com a resiliência de suas empresas. Entretanto, eles se defrontam agora com uma situação que nunca tinham vivido. “Por isso, toda a vez que enfrentamos uma crise como esta, saímos melhor. Os executivos brasileiros, por já terem confrontado muitas crises, se tornaram mais resilientes e  preparados”, garante.

O momento presente, salientou Coutinho, descortina, assim, uma grande chance de aprendizado e evolução. “Mas para isso ocorrer é preciso entender as circunstâncias, o contexto, e trabalhar na transformação de cada um de nós e de nossas empresas”.

Levantamento sobre os impactos da crise

Exatamente para refinar a compreensão do cenário atual, a KPMG realizou um levantamento sobre os impactos do isolamento provocado pela pandemia da covid-19 nas distintas indústrias brasileiras, buscando apontar as perspectivas de recuperação entre elas.

O escopo, conforme explicou André Coutinho, foi estabelecer padrões de retomada, tarefa segundo ele difícil em razão da grande diversidade de empresas existente no mercado: “O processo de preparação das companhias para a nova realidade está começando somente agora. Já passamos da fase de adaptação e estamos no momento de retomada. A preocupação doravante é monitorar as mudanças de consumo, as estratégias digitais e a gestão financeira”, acrescentou.

Varejo, mídia, telemedicina, química, entrega de alimentos, educação digital e alimentos e bebidas são os ramos que devem ter uma recuperação dos negócios mais efetiva pós covid-19. Na outra ponta, estão áreas como aeroportos, outros segmentos de varejo, hotéis, governo, mercados industriais, esporte e mídia, que podem ter um processo mais longo de reinício das atividades.

Foi efetuada ainda uma análise detalhada sobre os critérios que devem ser levados em consideração nos seguintes setores: agronegócio; consumo e varejo; energia e recursos naturais; governo; infraestrutura; mercados industriais; private equity e venture capital; saúde e ciências da vida; serviços financeiros; tecnologia, mídia e telecomunicações.

Quatro padrões para retomada

Mais pormenorizadamente, o estudo da KPMG estipulou quatro diferentes tipos de padrão de retomada para as empresas: 1) Crescimento; 2) Retorno ao normal; 3) Transformar para emergir; 4) Reiniciar.

Segundo o levantamento, no primeiro padrão de retomada (crescimento) estão as indústrias e organizações que vão passar pelo um período pós-covid-19 com o comportamento do consumidor favoravelmente alterado durante a crise.

Nesse caso, os investidores percebem o potencial da liderança e fornecem capital para escalar agressivamente durante a recuperação. Nessa fase, estão varejo, mídia, telemedicina, químico, entrega de alimentos, educação digital e alimentos e bebidas, exemplo de setores que tiveram aumento de demanda.

No segundo padrão, chamado de “retorno ao normal”, constam as indústrias consideradas essenciais que estão sofrendo os efeitos do distanciamento social, mas que deverão se recuperar mais rapidamente à medida que a demanda do consumidor retornar em volumes semelhantes.

Este perfil caracteriza os seguintes segmentos: serviços financeiros; bens de consumo (cíclico); tecnologia e telecomunicações; saúde e ciências da vida; agricultura; transporte rodoviário e urbano; private equity e gestão de ativos; e utilidades públicas.

Transformar modelos operacionais

O terceiro padrão, intitulado “transformar para reemergir”, inclui as organizações que deverão se recuperar, mas ao longo de um caminho prolongado, exigindo reservas de capital para resistir e transformar modelos operacionais e de negócio para emergir mais fortes e mais alinhados com as mudanças nas prioridades e nos padrões comportamentais dos consumidores. Aqui constam as empresas de turismo, automotivo, bens de consumo (não cíclicos), óleo e gás, imobiliárias e construtores e mineração.

Por fim, no item “reiniciar”, há empresas que lutam para se recuperar dos impactos da covid-19 devido à demanda permanentemente reduzida, capital insuficiente para evitar recessão prolongada e má execução da transformação digital. É o caso de aeroportos, outros segmentos de varejo, hotéis, governo, mercados industriais, esporte e mídia.

Resumindo o quadro descritivo, André Coutinho destaca os seguintes pontos de cada padrão: “No primeiro padrão, estão as indústrias que devem ter uma retomada favorável com aumento de demanda proporcionada pela mudança de hábitos causada pelo isolamento social. No segundo, os níveis de consumo devem retomar quando o isolamento acabar”.

“O terceiro é composto pelas empresas que vão precisar de resiliência e adaptação dos modelos de negócios para continuar saudáveis financeiramente. Elas terão um caminho mais longo que faz com que tenham uma reserva de capital maior. Por fim, no quarto, estão os setores mais desafiados que tiveram a demanda e disponibilidade de capital reduzidos de forma permanente. Estes vão ter que reequilibrar contas na retomada da economia”, concluiu.

Mais informações sobre a visão da KPMG dos impactos, desafios e negócios relacionados à pandemia estão disponíveis no site – http://www.kpmg.com.br/.

André Coutinho, sócio líder de Mercados e Clientes da KPMG    (Foto: divulgação)

 

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