Ipea: Inflação dos mais pobres supera em duas vezes a dos mais ricos

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A alta dos preços é puxada pelos alimentos de grande consumo pelas famílias de baixo poder aquisitivo, como arroz, feijão, leite e ovos

A inflação da população mais pobre superou em duas vezes a dos mais riscos no acumulado em 12 meses encerrados em agosto, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que houve aceleração inflacionária para todos os segmentos, com exceção da classe de renda mais alta.

A inflação dos grupos mais pobres registrou variação de 3,2%, atingindo uma taxa mais de duas vezes superior à apontada pelas famílias de maior poder aquisitivo (1,5%).

No mês de agosto, a variação de preços foi positiva (0,38%) para a classe de renda mais baixa – com renda domiciliar mensal menor que R$ 1.650,00 – e negativa (-0,10 p.p) para o segmento mais rico da população, com rendimentos domiciliares maiores que R$ 16.509,66.
Mais da metade (53%) da variação total da inflação dos mais pobres em agosto veio dos alimentos e bebidas. Boa parte da alta de preços deste ano se deve a alimentos de grande consumo pela famílias, como arroz (19,2%), feijão (35,9%), leite (23%) e ovos (7,1%).

Embora os preços dos serviços tenham caído em agosto para a classe mais baixa, esse alívio tem impacto maior no segmento de maior poder aquisitivo.

Já o reajuste dos combustíveis atingiu todos os grupos, mas o efeito para as famílias mais ricas foi, em parte, aliviado pela queda nos preços das passagens aéreas (-2%) e dos seguros veiculares (-2%).

Para a classe de renda mais alta, o impacto do reajuste dos alimentos em agosto foi menor (0,05 ponto percentual) do que entre as famílias pobres (0,20 p.p).

Além disso, a redução nos preços das mensalidades escolares proporcionou uma queda maior na inflação do grupo “educação” para as famílias mais ricas (-0,39 p.p.) frente às de menor renda (-0,22 p.p.).

A retração no valor das mensalidades das creches (-7,7%) e das escolas de ensino fundamental (- 4,1%) e médio (- 2,9%) gerou um alívio maior entre a população de renda mais alta, pois é esse segmento que, majoritariamente, utiliza os serviços privados de educação.

A diferença no padrão de consumo das famílias também explica a divergência do impacto do grupo “despesas pessoais” entre as classes de renda.

Em agosto, enquanto a queda de preços dos serviços ligados a atividades de recreação – como hospedagem (-1,8%), pacote turístico (-0,90%) e clube (-0,8%) – provocou uma redução de 0,04 p.p na inflação do grupo “despesas pessoais” para a faixa de renda mais elevada, o reajuste de 2,3% nos preços dos cigarros propiciou uma alta de 0,02 p.p. para o segmento de renda mais baixa.

Em 2020, com a incorporação do resultado de agosto, a inflação da classe de renda muito baixa é de 1,5%, acima da deflação da faixa de renda mais alta (-0,07%). Na comparação com agosto de 2019, a inflação das famílias de classe mais alta recuou de 0,08% para -0,10% em 2020. No caso do segmento mais pobre, ocorreu um avanço de 0,12% para 0,38%.

Previsão do PIB

A Secretaria de Política Econômica (SPE) estima redução de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mantendo a previsão divulgada nos meses de maio e julho.

Para o próximo ano é esperado um crescimento de 3,2% do PIB, seguindo a tendência de retomada da atividade econômica a partir do terceiro trimestre de 2020.

A SPE atualizou as projeções relacionadas à inflação. O Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) teve sua estimativa ampliada de 1,6% em julho para 1,83% em setembro.
A revisão dos índices de inflação foi necessária em virtude dos aumentos localizado e transitório de alimentos ocorrido nos últimos dias.