Brasil está mal posicionado em ranking de economias mais competitivas

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O desempenho do país é ruim na maioria dos nove fatores analisados em relação a economias emergentes da Ásia, segundo a CNI

O Brasil ocupa as últimas posições no ranking de economias consideradas mais competitivas em relação aos países emergentes da Ásia.

Segundo o relatório Competitividade Brasil 2019-2020, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mesmo em relação à Indonésia e Índia – que também estão nas últimas colocações no ranking – o desempenho brasileiro é pior.

As economias são classificadas como competitivas de acordo com nove fatores: trabalho, financiamento, infraestrutura e logística, tributação, ambiente macroeconômico, estrutura produtiva, escala e concorrência, ambiente de negócios, educação, tecnologia e inovação.

Segundo a CNI, o desempenho brasileiro é pior em mais da metade dos fatores analisados: financiamento, tributação, ambiente macroeconômico, estrutura produtiva, escala e concorrência e ambiente de negócios.

No fator Educação, entretanto, ocupa o segundo lugar entre os quatro países para os quais há dados, ficando atrás apenas da Tailândia. Esse fator desconsidera a China por não possuir dados em todas as dimensões avaliadas.

Já no fator tecnologia e inovação, o Brasil é o terceiro colocado e supera com facilidade a Índia e a Indonésia, mas ainda está longe de alcançar a Tailândia e, principalmente, a China, que tem o dobro da nota.

A economia chinesa lidera nos requisitos trabalho, tributação e ambiente macroeconômico.
Veja a situação do Brasil e das economias emergentes da Ásia selecionadas em cada um dos nove fatores:

1 – Trabalho

No fator trabalho, a Indonésia é a primeira entre os países emergentes asiáticos selecionados e a terceira mais bem colocada no total dos 18 países (nota 5,96).

A Indonésia possui o mais baixo custo com mão de obra (nota 5,53) e está em primeiro quanto à disponibilidade (nota 6,38). O Brasil é o terceiro colocado nesse fator (5,16).

2 – Financiamento

A China é primeira no fator financiamento entre as economias asiáticas selecionadas e a segunda mais bem colocada entre os 18 países (nota 7,16).

A China apresentou o melhor resultado nos subfatores custo do capital (nota 7,89) e desempenho do sistema financeiro (8,06). No subfator disponibilidade, a China empatou em primeiro com a Tailândia (nota 5,53). O Brasil é o último colocado nesse fator (2,22), devido sobretudo aos custos elevados.

3 – Infraestrutura e logística

No fator Infraestrutura e logística, a China é a primeira entre os emergentes asiáticos selecionados (nota 6,67). Em três dos quatro subfatores avaliados, a China é a primeira colocada: transporte (6,71), energia (6,01) e logística internacional (7,98).

No subfator telecomunicações, ocupa a segunda posição (5,97), atrás do Brasil (6,02). O Brasil é o penúltimo colocado nesse fator (4,77). Apenas em telecomunicações, se destaca positivamente (é o primeiro). Nos demais subfatores, está em último lugar: transporte (3,88), energia (3,43) e logística internacional (5,74).

4 – Tributação

A Indonésia é a primeira no fator tributação entre os 18 países (nota 7,33). No subfator peso dos tributos, possui a menor carga dos 18 países (nota 8,37).

Em qualidade do sistema tributário, é a quarta colocada no grupo dos emergentes asiáticos (nota 6,29). O Brasil é o último colocado nesse fator (3,82), ocupando a última posição em ambas as dimensões avaliadas: peso dos tributos (3,90) e qualidade do sistema tributário (3,75).

5- Ambiente macroeconômico

No fator ambiente macroeconômico, a Tailândia é a primeira entre os emergentes asiáticos e a segunda mais bem colocada entre os 18 países (nota 7,05).

A Tailândia apresentou o melhor resultado nos subfatores equilíbrio monetário (nota 9,62) e equilíbrio externo (nota 6,26).

Em equilíbrio fiscal, é a segunda colocada (nota 5,27), atrás da Indonésia (5,37). O Brasil é o último colocado nesse fator (5,96). Apenas no subfator equilíbrio externo, não ocupa a última posição: é o terceiro colocado, com nota 5,35.

6 – Estrutura produtiva, escala e concorrência

A China é a primeira colocada no fator estrutura produtiva, escala e concorrência entre os 18 países (nota 8,01). Apresentou o melhor desempenho também nos subfatores estrutura produtiva (nota 7,77) e escala (nota 9,92).

No subfator concorrência, ocupa a segunda posição (6,36), atrás da Indonésia (6,69). O Brasil é o último colocado nesse fator (nota 6,25). Em dois dos três subfatores, ocupa a penúltima posição: estrutura produtiva (5,38) e concorrência (5,18). No subfator escala, ocupa a terceira posição (8,20), atrás da China e da Índia.

7 – Ambiente de negócios

A China é a primeira entre os emergentes asiáticos no fator ambiente de negócios (nota 6,38). A China apresentou o melhor resultado no subfator burocracia (nota 7,85) e segurança jurídica (6,92). No subfator eficiência do Estado, ocupa a quarta posição (4,38).

O Brasil está na última posição no fator ambiente de negócios (nota 5,02). Apesar de ocupar a primeira posição no subfator eficiência do Estado (nota 5,19), é o último colocado nos demais subfatores, com notas 4,81 (burocracia) e 5,05 (segurança jurídica).

8 – Educação

A Tailândia é o país mais bem posicionado entre os emergentes asiáticos no ranking do fator educação, que desconsidera a China por não possuir dados em todas as dimensões avaliadas.

O Brasil fica em segundo lugar nesse fator (3,32). No subfator gastos com educação, o Brasil é o primeiro colocado (nota 3,64), enquanto a Tailândia é a quarta colocada (nota 1,38).

Nos demais subfatores, a Tailândia fica em primeiro: disseminação (5,31) e qualidade (3,52), seguida do Brasil, com notas 3,30 e 3,01, respectivamente.

9 – Tecnologia e inovação

No fator tecnologia e inovação, a China é a primeira entre os emergentes asiáticos e a segunda no total dos 18 países (nota 6,40).

A China apresentou o melhor resultado no subfator esforços de P&D (nota 7,19) e resultados dos esforços de P&D (nota 5,61) nesse grupo.

O Brasil ocupa a terceira posição nesse fator (3,06), atrás da China e da Tailândia. Em ambas as dimensões avaliadas, o Brasil é o terceiro colocado: esforços (nota 4,25) e resultados dos esforços (nota 1,87).