sábado, 26 de setembro de 2020 - 2:53
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Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU

O presidente vai defender o país das críticas internacionais pelas queimadas na Amazônia e pela forma como tratou a pandemia de Covid-19

A Assembleia Geral das Nações Unidas abre hoje sua 75ª sessão anual, sob a presidência do diplomata turco Volkan Bozkir, candidato único eleito em junho por 192 países, em uma sessão marcada pela pandemia. Os votos foram depositados em horário pré-determinado para evitar contatos e com todos os representantes nacionais usando máscaras.

Pela primeira vez, o evento não será realizado na sede da ONU, em Nova York, mas de forma virtual. É provável que apenas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compareça fisicamente. Como é tradição desde a criação da ONU, o presidente brasileiro será o primeiro orador, e a previsão é de que seja alvo de ataques generalizados, por questões ambientais.

O presidente brasileiro, como reza a tradição, vai ser o primeiro chefe de estado a falar, na terça-feira que vem, dia 22. O Brasil tem a primazia de abrir os pronunciamentos por uma questão histórica, não há nenhuma norma escrita que determine isso. A tradição é uma homenagem ao então chanceler Oswaldo Aranha, que em 1945 presidiu a primeira sessão especial e a segunda sessão ordinária do mesmo ano, quando defendeu a criação do Estado de Israel e a divisão da Palestina em duas nações.

Até 1981, o país era representado por diplomatas. Em 1982, o general João Batista Figueiredo inaugurou a era do discurso de presidentes. Bolsonaro vai defender o país das críticas internacionais pelas queimadas na Amazônia e pela forma como tratou a pandemia de Covid-19. Deve garantir que o governo brasileiro está empenhado na defesa da floresta tropical e que os ataques se devem à desinformação provocada por ONGs e por governos estrangeiros.

O centro da argumentação será baseado no discurso do general Hamilton Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia, de que o Brasil preserva a floresta e de que os ataques ao país têm razões econômicas e políticas. Pedirá ajuda aos países ricos para medidas de proteção ambiental, apesar de todos estarem sofrendo perdas econômicas com a pandemia.

Sobre a Covid, certamente o presidente brasileiro dirá que estamos vencendo a guerra contra a doença e que foi criado um colchão de proteção com a ajuda emergencial que evitou um colapso social e econômico sem precedentes. Bolsonaro já falou na ONU no ano passado. Um discurso pífio.

Figueiredo chegou à ONU em 1982 em meio à crise da dívida externa e a uma campanha política pelo fim da ditadura e por eleições diretas que tomou proporções irresistíveis a partir do ano seguinte. Havia conflitos por todo o mundo, como entre Irã e Iraque, a guerra civil em Moçambique e no Líbano, e a guerra das Malvinas entre Argentina e Inglaterra.

O presidente brasileiro evitou política interna e centrou fogo na defesa de um mercado mundial mais aberto e favorável aos países pobres e em mudanças na estrutura financeira internacional, que quebrou várias nações – o discurso preparado pelo Itamaraty foi tão bom que impressionou até a esmagadora maioria de brasileiros contrários ao regime. Desde 1946, o único presidente civil que não participou foi Itamar Franco (1992/94).

Histórias da política

O novato baiano Ademir Andrade, deputado federal eleito pelo Pará, queria disputar em 1987 a liderança do PMDB na Assembleia Nacional Constituinte, mas não conseguiu nem lançar a candidatura. A disputa final teve o senador Mário Covas e o deputado federal catarinense Luiz Henrique. Mas Ademir aproveitou a derrota para um discurso incendiário contra o presidente da Câmara e do partido, Ulysses Guimarães.

Com a bancada do partido reunida em uma barulhenta sala de comissões temáticas, entupida de parlamentares e jornalistas, disse que Ulysses se comportava como um tirano, um “faraó”, que acumulava cargos e não permitia o crescimento de novas lideranças, que tudo era um jogo de cartas marcadas. Ninguém deu importância.

Mais tarde, Ademir foi ao gabinete de Ulysses e pediu desculpas. “Eu respeito muito o senhor. Queria apenas marcar posição, e o senhor sabe que pode sempre contar comigo”. Com a costumeira expressão de enfado, olhos semicerrados, o Senhor Diretas respondeu: “Meu caro, eu prefiro que você me elogie em público e me esculhambe em particular”.

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