BBChain implementa plataforma de registro de ativos financeiros baseada em Blockchain

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Nova solução conjunta da B3, CIP, CERC e CRDC é baseada no software de Blockchain corporativo Corda Enterprise, da R3

A BBChain, empresa de desenvolvimento e arquitetura de plataformas Blockchain, é a responsável pelo desenho e implementação da plataforma de registro de duplicatas anunciada recentemente pela B3, CIP, CERC e CRDC. Todo o projeto foi desenvolvido sobre a plataforma Corda Enterprise, desenvolvida pela R3, empresa de software corporativo.

A empresa, parceira da R3, participou das primeiras etapas de discussão em relação às tecnologias que seriam adotadas. Depois de vencer o processo de concorrência aberto pela associação de entidades, assumiu o desenho da arquitetura aplicada e o desenvolvimento e implementação de todos os componentes de software.

De acordo com Felipe Chobanian, CEO da BBChain, ficou a cargo da companhia a elaboração da arquitetura da nova plataforma de registros e códigos. “Isso incluiu o desenho dos contratos inteligentes. Tudo foi feito sobre a plataforma Corda Enterprise, que transforma todas as informações dos títulos em criptografia e garante que nenhuma duplicata será registrada em mais de uma empresa”, afirma.

Chobanian se diz animado com a iniciativa e lembra que este é o primeiro projeto do tipo no mundo: uma rede interoperável que garante alta disponibilidade, privacidade de dados dos concorrentes operando na mesma plataforma, inclusão de muitas outras empresas no futuro e à prova de fraude.

“Essa plataforma vai garantir a rastreabilidade e, ao mesmo tempo, confidencialidade das operações. Uma empresa não sabe o volume de negócios de seus concorrentes na rede. A tecnologia atualmente disponível mais adequada que entrega isso é o Blockchain”, atesta.

Ele explica que a arquitetura utiliza também a base de dados distribuída CockroachDB, da Coachroach Labs, uma composição e abordagem inédita com o CORDA da R3. “É preciso um cenário altamente improvável que comprometa tudo para o sistema ficar indisponível”, afirma Chobanian, lembrando que os dados estarão em nuvem, com a TIVIT gerenciando a infraestrutura computacional.

Disponibilidade e performance

Essa combinação garante alta disponibilidade e performance para operar os milhões de duplicatas registradas por ano no mercado brasileiro e as novas modalidades de registros previstas para ingressarem na rede.

Para André Frederico, Diretor Executivo e Head de Cloud Solutions da TIVIT, “esse é um projeto inédito e um marco para o mercado financeiro. A interoperabilidade vai trazer agilidade e manter a segurança de todo o processo no registro das duplicatas. Com certeza, o mercado vai colher bons frutos nos próximos meses, com o início da operação”.

O cofundador e CTO (Chief Technology Officer) da BBChain, Rodrigo Bueno, pondera sobre o fato de o projeto ser baseado em uma plataforma Blockchain. “É muito importante ter um entendimento sobre o que é Blockchain. Hoje existem duas visões mais comuns sobre o que é uma rede Blockchain para o mercado, e se considerarmos exemplos como a do Bitcoin ou a Ethereum, onde temos distribuição de toda a informação e um consenso baseado em todas as transações que já aconteceram dentro da rede, o que foi feito não é Blockchain. Agora, se ponderarmos o uso de técnicas de criptografia para garantia de autenticidade, irretratabilidade e imutabilidade de informação, com consenso baseado em toda a cadeia histórica de um ativo, o que foi feito se enquadra como uma rede Blockchain.”, afirma.

Ele lembra que, mesmo com processos bem definidos para modificar o histórico das informações, e estes processos dependerem de poucas pessoas, já que a rede é restrita e pequena, isso não significa que a plataforma abra possibilidades inexistentes nas grandes redes.

Modificação do histórico

“Os chamados hard forks são provas de que é possível modificar o histórico de informações. A partir do momento em que uma grande parte de uma rede concorda com uma mudança, ela irá acontecer, e normalmente membros que têm um entendimento menor ou que se utilizam de intermediários para participar da rede, como mining pools, aceitam as decisões feitas por este grupo”, defende.

Anunciada em agosto, a nova plataforma garante total prevenção a fraudes no registro de duplicatas, o não lastreamento indevido em operações de crédito e a imutabilidade e rastreabilidade desde a emissão do título até a sua finalização.

Além disso, também por meio de tecnologia, as quatro entidades integrantes e as demais que estão por vir poderão contar com total privacidade e confidencialidade em relação aos seus fluxos de negócio que serão operados na rede, garantindo assim total adequação às leis de proteção e privacidade de dados.

“Essa rede foi projetada e construída para operar um mercado baseado em novos modelos de negócio, onde empresas registradoras de títulos poderão interoperar de forma segura e ágil, com portabilidades e rastreamentos sendo executados em tempo real. O mercado terá muito a ganhar com essa agilidade, segurança e robustez tecnológica”, afirma Chobanian.

Ele lembra que a iniciativa atende a uma regulamentação do Banco Central, publicada em setembro de 2019, que estabelece que as registradoras adotem mecanismos que garantam a unicidade na utilização dos ativos financeiros nelas registrados como garantia em operações de crédito (gravames).

“O Corda Enterprise foi projetado especificamente para ambientes altamente regulados e com requisitos em torno da qualidade de serviço e infraestrutura de rede em que operam, tornando-o uma tecnologia adequada para uma plataforma de registro como essa”, afirma Nayam Hanashiro, diretor de alianças estratégicas da R3.