terça-feira, 14 de julho de 2020 - 7:19
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Bancos são fundamentais para superação da crise

Executivos das principais instituições financeiras debateram o papel do setor durante a pandemia

Inaldo Cristoni

O papel do setor bancário no enfrentamento da crise desencadeada pelo avanço do novo coronavírus foi ressaltado no painel de abertura da primeira edição virtual do Ciab – realizada de forma remota justamente por causa da pandemia -, do qual participaram altos executivos dos principais bancos que operam no Brasil: Itaú Unibanco, Caixa, Bradesco, Santander, Bradesco e BTG Pactual.
A avaliação é de que, diferentemente do que ocorreu em 2008, quando foram causadores da crise econômica mundial – que começou nos Estados Unidos e se espalhou rapidamente para a Europa e outras regiões -, dessa vez os bancos são parte fundamental da solução do problema.
Além da união de força para liderar movimentos solidários, abrangendo doações humanitárias e para infraestrutura hospitalar, o setor adotou uma série de medidas de ordem financeira consideradas importantes para ajudar a população e as organizações empresariais na travessia da pandemia.
O setor bancário determinou o tom e o tamanho das doações, ressaltou Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). As doações ultrapassaram os R$ 2 bilhões e o volume de crédito concedido chegou a R$ 1 trilhão desde o início da crise, em março. “Somos o setor que mais fez doações”, gabou-se.
A tecnologia tem sido um grande aliado nesse processo de enfrentamento, uma vez que plataformas e canais digitais passaram a ser utilizados de forma mais intensa para possibilitar operações financeiras sem que os clientes precisassem comparecer às agências.
Da mesma forma, a tecnologia favoreceu a adoção de medidas para eliminar os fatores de risco aos cerca de 230 mil colaboradores que trabalham na rede bancária, como modelo de trabalho remoto – o chamado home office.
O presidente da Febraban não tem dúvidas de que “estamos diante da maior crise de saúde com graves consequências econômicas no mundo inteiro”. Mas acentuou que os bancos demonstram solidez e se apresentam como fator de segurança na gestão da poupança dos brasileiros.
Prova disso é que foram capazes de dar uma resposta rápida aos desafios do Covid-19, avaliou Cândido Bracher, presidente do Itaú Unibanco. Uma das primeiras medidas adotadas pelo setor, segundo o executivo, foi zelar pela liquidez do setor, o que transmitiu segurança à população em relação a poupança.
Internamente, ao mesmo tempo que colocou parte do seu time de 53 mil funcionários em regime de home office – e concedeu férias aos que exercem funções que não permitem trabalho remoto -, o Itaú Unibanco garantiu o pleno funcionamento das suas agência.
Na lista de medidas adotadas, o executivo do banco citou a suspensão das demissões, a antecipação do 13º salário e a adoção de uma política de comunicação diária com todos os seus profissionais. Além disso, incrementou os seus canais digitais.
Com o objetivo de auxiliar as pessoas e as empresas, os bancos tomaram a decisão de prorrogar operações. Octavio de Lazari Júnior, diretor-presidente do Bradesco, apresentou os números de tal iniciativa.
Desde o dia 16 de março, quando teve início a pandemia, R$ 61 bilhões de operações, de um total de R$ 550 bilhões, foram prorrogadas por 60 dias e, posteriormente, por 120 dias. “E pode ser que prolonguemos um pouco mais”, salientou Lazari, acrescentando que esses ajustes foram feitos sem alterações da taxa de juros.
O debate sobre o crédito ganhou relevância nesse momento de crise. Isso porque o setor bancário se depara com o desafio de suprir a demanda crescente por concessões de recursos, sem, contudo, abrir mão de proteger os depositantes, o que coloca em evidência o debate sobre risco.
Linhas de crédito estão sendo criadas pelo governo federal para suprir a demanda do mercado por mais recursos financeiros. Exemplo disso é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que entrou em vigor no mês de maio.
Idealizado para financiar investimentos, assim como despesas operacionais, já conta com 175 mil empresas cadastradas, informou Pedro Duarte Guimarães, presidente da Caixa. “E ainda teremos outras fases”, ressaltou.
No mês passado, a Caixa ampliou a pausa do pagamento de financiamentos habitacionais por 120 dias, para clientes que já haviam solicitado o benefício de suspensão temporário. Segundo Guimarães, a medida beneficiou 12,5 milhões de pessoas, correspondendo a R$ 250 bilhões na carteira do banco.
A Caixa, por sinal, é o banco responsável pelo pagamento do Auxílio Emergencial, implementado para ajudar as pessoas no enfrentamento da pandemia. O dinheiro foi destinado para 64 milhões de beneficiários e mais 60 milhões de pessoas receberão o FGTS, cuja primeira parcela será liberada a partir de segunda-feira, 29.
Esses benefícios são pagos através dos bancos. Entretanto, apesar do avanço tecnológico do setor, o executivo da Caixa destacou que, se não fosse a capilaridade da rede bancária, não seria possível realizar os pagamentos. O Brasil possui mais de 5 mil municípios e em muitas regiões não há sequer agência, observou.
No debate de abertura do Ciab, Sérgio Rial, presidente do Santander, elencou alguns pontos que considera relevantes para o setor endereçar daqui para frente. Um deles diz respeito aos profissionais autonômos, que passam a ter relevância no tecido econômico brasileiro.
A tendência é de expansão dessa categoria de profissionais por causa do desemprego. Trata-se de cuidar para que tenham todas as condições de acessar o sistema financeiro, que para muitos parece algo distante. Isso implica em ofertas que abrangem desde o capital de giro até a inclusão digital.
A inclusão digital das pequenas e médias empresas também foi ressaltada pelo executivo do Santander. “É importante democratizar a tecnologia para esse segmento nos próximos meses”, disse.
Rial lembrou, ainda, que o setor bancário será confrontado com a vigência do Pagamento Instantâneo (PIX) e do Open Banking. Além de aumentar a competição, o que é considerado muito positivo, esses dois movimentos trazem desafios tecnológicos adicionais ao setor.
Por fim, destacou a importância da retomada dos projetos de infraestrutura. O momento é considerado propício porque taxa de juros caiu e há liquidez. “Temos que pensar em coalizações inteligentes, sem abrir mão da concorrência, para pensar em como avançar nos investimentos necessários financiar a infraestrutura no país”, disse.
Uma atribuição dos chamados bancos de atacado é apresentar aos poupadores oportunidades de financiamento de projetos de grandes empresas brasileiras, aponta Para Roberto Sallouti, presidente do BTG Pactual, para quem ações desse tipo ajudam a fomentar o mercado de capitais.
Outro aspecto importante, segundo ele, a democratização das oportunidades de investimento tornou-se possível com o desenvolvimento tecnológico. “Através das plataformas digitais, as pessoas estão entrando na bolsa, comprando debêntures de infraestrutura ou fundos mais sofisticados”.

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