terça-feira, 14 de julho de 2020 - 8:08
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Bancos: inovação com parcerias e ações próprias

O alinhamento dessas duas premissas é a melhor estratégia para acelerar entrega de serviços

Inaldo Cristoni

Incumbentes e entrantes do setor financeiro concordam que acelerar parcerias e fortalecer o desenvolvimento interno é a melhor estratégia para se ter velocidade e qualidade de entrega de serviços inovadores aos clientes.
Os exemplos são muitos de instituições financeiras que exploram as fronteiras da tecnologia tendo como premissa esse alinhamento, como ficou evidenciado no painel “O novo cenário do ecossistema financeiro”, do Ciab.
Walkiria Schirrmeister Marchetti, diretora-executiva do Bradesco, listou as iniciativas internas e as parcerias formalizadas ao longo dos anos para instrumentalizar o ciclo de inovação do banco.
“Acreditamos que a inovação se dá através do trabalho colaborativo e da diversidade de competências”, pontuou, sem deixar de fazer referência aos dois fatores que considera relevantes para alcançar os objetivos.
Um deles foi a revisão da arquitetura de tecnologia e, outro, a implementação do que a executiva chamou de mindset Lean – ou seja, a organização voltada ao cliente para garantir entregas contínuas e a avaliação de feedbacks.
Entre as iniciativas com foco no ecossistema de colaboração, Walkiria destacou a plataforma InovaBRA – que em seis anos avaliou mais de 3 mil startups – e as recentes parcerias formalizadas com o Porto Digital e a Acate.
No plano interno, o banco criou uma ampla trilha de capacitação e estabeleceu uma forte governança sobre as iniciativas de inovação. Atualmente, conta com 120 influenciadores de inovação nas unidades de negócios.
O resultado desse esforço foi o desenvolvimento de projetos que são relevantes para o Bradesco, como a plataforma Next, voltada para o público conectado, e a BIA, que tem contribuído para melhorar a interação com os clientes, ressaltou Walkiria.
A Caixa Econômica Federal passa por uma transformação cultural. Ao mesmo tempo que procura aprender a se movimentar como uma fintech – para entregar serviços digitais com a velocidade que o momento atual exige -, ensaia um processo de abertura aos parceiros.
A tarefa é muito desafiadora para um banco público, disse Darlan Costa, superintendente nacional Digital da Caixa. “Atualmente, temos parcerias nacionais e internacionais, inclusive com universidades”.
O plano é acelerar o processo de abertura a novas parcerias. Em junho foi lançado o segundo Desafio de Startups Caixa em Microfinanças, que tem a parceria do Sebrae. Até meados do próximo mês as empresas poderão apresentar soluções voltadas para a promoção da independência financeira e ascensão social de microempreendedores informais.
Os banco digitais estão pegando carona na mudança de comportamento dos usuários, sinalizada com o crescimento dos canais digitais. O Banco Inter, por exemplo, viu acelerar a base de clientes de todas as suas linhas de produtos no período nos últimos meses.
Alexandre Riccio, vice-presidente do banco, atribuiu o fluxo positivo de clientes à proposta de valor da instituição, centrada em três pilares: banco digital, gratuito e completo. “No banco digital, conseguimos entregar uma experiência diferenciada”, destacou.
A gratuidade dos serviços tem forte apelo principalmente nesse momento de crise porque as pessoas estão empenhadas em economizar. Mas o terceiro pilar, de banco completo, talvez seja o mais relevante para a operação por eliminar a dependência de um único produto.
Atualmente, o portfólio de ofertas do Banco Inter contempla conta digital, que possui em torno de 6 milhões de clientes, investimentos, crédito, seguro, marketplace e, mais recentemente, telefonia, a partir de uma parceria formalizada com a Intercel.
Se o momento é propício para incrementar as ações com foco em inovação, as instituições financeiras precisam ter em mente que o cenário atual também impõe obstáculos a esse movimento. O motivo é o Covid-19.
Com a pandemia houve a necessidade de isolamento social, obrigando as organizações a adotarem o trabalho remoto. Isso comprometeu o chamado fluxo desestruturado de ideias, explicou Guilherme Horn, diretor de estratégia e inovação do Banco BV.
Indispensável para o processo de inovação, o fluxo desestruturado de ideias ocorre quando as pessoas interagem no intervalo das reuniões, nos encontros nos corredores ou durante uma pausa para o café.
A falta desse contato físico preocupa. “No BV temos um laboratório com quase 50 engenheiros gerando inovação. Esse fluxo desestruturado de ideias se perdeu”, disse, acrescentando que o banco está adotando algumas medidas para tentar resgatar esse ambiente.
A criação de APIs para integração com o ecossistemas de startups é a prova de que os bancos estão empenhados em fomentar parcerias com foco em inovação. A QueroQuitar, por exemplo, já tem acordos com alguns bancos na área de cobrança e recuperação de crédito.
O banco Santander foi o primeiro a lançar API de cobrança e já está plugado na plataforma da QueroQuitar. A startup já tem um bom relacionamento com a Caixa e espera contar, em breve, com o Bradesco e o Itaú Unibanco.
A startup desenvolveu um marketplace de negociação entre credores e inadimplentes. “As pessoas podem fechar o acordo nas melhores condições e pagar diretamente ao credor, sem intervenção humana”, explicou Marc Lahoud, CEO da empresa.
Nos últimos 90 dias, a QueroQuitar fechou 6 novos contratos e aumentou para 40 milhões a sua base de CPFs cadastrados. Mais do que apenas recuperar o crédito, o objetivo da startup é levar o devedor ao status de consumidor sustentável, para evitar o retorno à inadimplência.
A avaliação do executivo da QueroQuitar é de que os bancos desempenham um papel relevante nesse processo porque a adoção de um canal como esse da startup aumenta as chances de resolução do problema do devedor. “Hoje, 53% das pessoas quebram o acordo no mesmo ano”, afirmou.

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